Cultura
Morreu Mário Zambujal aos 90 anos
Um autor prolífico, Mário Zambujal deliciou sucessivas gerações com o seu humor e sentido de observação. A sua obra mais conhecida será 'Crónica dos Bons Malandros', de 1980, que o lançou aos olhos do grande público.
A notícia da morte foi divulgada nas redes sociais pela editora Clube do Autor, que recorreu ao título do seu romance mais conhecido para lembrar o "eterno bom malandro". "O seu legado será sempre relembrado por todos, sobretudo pelos seus fiéis leitores, bem como a sua enorme alegria de viver. Neste momento de dor, o Clube do Autor demonstra a sua solidariedade e apoio à sua família e amigos", escreveu a editora.
Em reação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro lembrou que a "forma de comunicar [de Zambujal] cativava a atenção de quem o via e ouvia e fez escola no jornalismo português".
Nascido em Moura, Beja, em 1936, viveu na Amareleja até aos cinco anos. A família seguiu depois para o Algarve (onde Mário Zambujal chegou a jogar futebol com Aníbal Cavaco Silva), com o futuro escritor a fixar-se em Lisboa já adulto.
A primeira grande opção de carreira foi o jornalismo, iniciada no desporto, tendo passado em vários meios de comunicação, incluindo na RTP, ficando conhecido como apresentador do "Grande Encontro", um programa de desporto.
Além da televisão, colaborou em programas de rádio, dos quais se destaca o "Pão com Manteiga", na Rádio Comercial com Carlos Cruz, (no qual foi co-autor dos textos posteriormente reunidos em livro).
Foi também jornalista de A Bola, onde se iniciou como jornalista profissional em 1960, sub-director do jornal desportivo Record, chefe de redacção do jornal O Século, onde viveu o 25 de Abril, e do Diário de Notícias, director do jornal de espetáculos Se7e e do semanário Tal & Qual, e colunista do diário 24 Horas.
Foi também jornalista de A Bola, onde se iniciou como jornalista profissional em 1960, sub-director do jornal desportivo Record, chefe de redacção do jornal O Século, onde viveu o 25 de Abril, e do Diário de Notícias, director do jornal de espetáculos Se7e e do semanário Tal & Qual, e colunista do diário 24 Horas.
Fátima Campos Ferreira, jornalista e apresentadora do programa 'Primeira Pessoa' da RTP, recorda a carreira jornalística de Mário Zambujal, elogiando ainda a sua "inteligência emocional" e personalidade "agregadora". Ele "adorava contar histórias" e viveu "intensamente", lembra.
Mário Zambujal foi ainda presidente do Clube de Jornalistas, pelo qual recebeu o Prémio Gazeta, em reconhecimento da Carreira. Com queda para a escrita desde cedo, publicou aos 15 anos o seu primeiro texto, um conto, no semanário "Os Ridículos".
A sua estreia na literatura deu-se em 1980 com a Crónica dos Bons Malandros, um livro adaptado ao cinema, por Fernando Lopes, e a uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa.
Seguindo sempre o estilo de comédia, publicou depois 'Histórias do Fim da Rua', 'À Noite Logo se Vê', 'Fora de Mão' (uma coletânea de contos e crónicas), 'Primeiro as Senhoras', 'Uma Noite Não São Dias', 'Dama de Espadas', 'Longe É um Bom Lugar', 'Cafuné', 'O Diário Oculto de Nora Rute', 'Serpentina', 'Talismã', 'Romão e Juliana', 'Já Não se Escrevem Cartas de Amor', 'Então, Boa Noite', 'Rodopio', e 'Pirueta', publicado durante a pandemia de covid-19.
Seguindo sempre o estilo de comédia, publicou depois 'Histórias do Fim da Rua', 'À Noite Logo se Vê', 'Fora de Mão' (uma coletânea de contos e crónicas), 'Primeiro as Senhoras', 'Uma Noite Não São Dias', 'Dama de Espadas', 'Longe É um Bom Lugar', 'Cafuné', 'O Diário Oculto de Nora Rute', 'Serpentina', 'Talismã', 'Romão e Juliana', 'Já Não se Escrevem Cartas de Amor', 'Então, Boa Noite', 'Rodopio', e 'Pirueta', publicado durante a pandemia de covid-19.
A sua obra mais recente, 'O último a sair', foi publicada em 2025.
Tudo o que escreveu reflete o espírito de humor e ironia cativantes, que levavam sempre à gargalhada. "Tinha sempre um sorriso nos lábios" e "sabia ler as pessoas", recorda a jornalista Ana Daniela.
Da vasta obra ligada à escrita, fazem ainda parte guiões de várias séries de televisão, como Lá em casa tudo bem (juntamente com Raul Solnado e Nuno Teixeira), Isto é o Agildo, Nós os Ricos, e"Os Imparáveis. Assinou ainda textos em co-autoria, de teatro de revista como Não Batam Mais no Zézinho, Isto É Maria Vitória ou Toma Lá Revista.
A 30 de Julho de 1984 foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Era irmão de Francisco Manuel Marvão Gordilho Zambujal, famoso caricaturista de A Bola, e pai de Isabel Zambujal, autora de literatura infanto-juvenil.
A 30 de Julho de 1984 foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Era irmão de Francisco Manuel Marvão Gordilho Zambujal, famoso caricaturista de A Bola, e pai de Isabel Zambujal, autora de literatura infanto-juvenil.